Thoughts

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Local de trabalho Ilustração
 O local tem de ser desconfortável, desagradável mesmo. Janelas para o exterior fazem com que se distraiam a apreciar a paisagem, assim produzem menos. Ilustração do local de trabalho.
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Pela paz - Ilustração
 Entregar aos fabricantes de armas a responsabilidade da paz é contra-natura.
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Tecer a ilustração
 Sempre a tecer esse novelo da nossa existência até que o fio se parta, pelo meio ficarão alguns nós marcando um êxito ou um amor.
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Electrolixo - Ilustração
 Equilibrio entre tecnologia e lixo.
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Tecnologia na ilustração
 Belo, mas faz o quê? mas isso interessa? O fascínio pela tecnologia.
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Arando - ilustração
 Arar o campo do pensamento (quanta resistência) e plantar sementes para o futuro (as crianças?), um pouco megalómana esta ilustração.
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Ilustração de escadas
 São apenas escadas no fim das quais.
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Vigiar ilustração
As vizinhas esquadrinham o horizonte no intervalo da novela, à espreita de uma boa história se não existir poderão sempre inventar, como esta ilustração também o foi.
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Preso na ilustração
  Condenado pelo cartão de cidadão, nele lia-se - nascido exactamente há 31 anos. Demasiado velho, comentaram os empregadores. Será um negócio de sucesso, falsificar não a identidade mas a idade.
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Puxar ilustração
 Puxar a carroça - a atitude cansativa e ingrata de estar na frente.
 Tipos - prototipos. Uns protegem-se do mundo exterior, outros pela manha e pelo esquema vão vivendo.
 A rotina mata o amor e o desconhecido é assustador, onde ficamos afinal?
 Agarrados à tv ficarão os velhos e os doentes, entre os medicamentos e o canal memória.
 De malas preparadas espero o visto, quando voltarei a ver os meus amigos e a minha família? Na ilustração apenas espero.
À frente caminham os euros, bem próximo a simpática acompanhante, por último o carregador cuidará da alimentação. O cortejo está completo nesta ilustração.
Nos fones o cantor explica como é tão feliz mesmo sem nada, poderia talvez dançar ao ritmo se não tivesse de carregar este peso que me tolhe os pés e dobra a espinha.
 O vento abana a capa dos "casos de sucesso" e por debaixo essa filigrana precária, uma massa humana tece diariamente a riqueza.
 Quando o mal parece inevitável alguns conseguem estabelecer o diálogo, são as pessoas-ponte. São poucas, muito poucas como nesta ilustração.
 A energia, as comunicações e as armas.
 Numa noite de lua cheia a dama pé de cabra salta pelas ruínas e vem até ao Bairro alto beber um copo, compõe o vestido em desalinho e retoca o baton. Está preparada.
 Um de cada vez, um de cada vez, reclama o velho lutador pai de família. Com as contas espalhadas em cima da mesa sente que o jogo está viciado e o final decidido.
 É preciso saber nadar com os tuburões, aos trinta anos estarei rico, dizia o iupi com a cabeça cheia de gordura neo-liberal nos anos noventa. Onde estará agora esse colega de ensino, reformado ou no desemprego?
 A fotografia digital entrou e venceu os nossos hábitos. Nesta ilustração recordo os tempos da câmara escura. Da tina na folha molhada a imagem ia aparecendo como magia e havia sempre um há.
Lá fora o vento agita os ramos das palavras e letras soltam-se desvairadas criando novas combinações, outros significados. Mas não é isso a literatura?
 Nesta ilustração embarcámos sem rumo certo, acabáramos de nascer e embora não conhecessemos o caminho tudo se passava além, para a frente.
 Conduzida por mil canais e tubos essa imitação da realidade chega até nós quando somos intervenientes na acção remordemos - não foi nada disto que aconteceu. É disso que falo nestra ilustração.
 Perigo - artista no próximo cruzamento. Conviver com a ilustração significa estar atento e disperso na reescrita.
 Para onde foi a utopia? o ser pragmático matou o ser poético e nesta ilustração continuo à procura dessa ilha encantada.
 Ir até ao limite da criatividade, do estudo, da inovação? ou do atrofiar, do espezinhar do reduzir das capacidades. Ilustração dos nossos dolorosos tempos.
 Malhar as letras enquanto estão quentes, ilustração e escrita fundidas numa só expressão.
 Eu estou aqui, abro os braços e deixo que o sol me aqueça.

 Que futuros homens sairão das nossas escolas, das nossas famílias? Mais cultos, mais humanos, mais sensíveis? mais preocupados com o dinheiro, mais dispostos a partir. Em fundo alguém espera pelo visto para a Austrália, tão longe, estarão bem? passarão fome? quem cuidará dos netos? saberão o nome do avô?
Num sistema de frustração em vasos comunicantes, o chefe desanca o empregado, que decarrega no funcionário da caixa. O que acontecerá em casa deste ninguém sabe, talvez acabe só.
 Está sempre lá - o potencial para imaginar, é só questão de o soltar.
 Com o seu relógio na mão, o Coelho de alice nesta ilustração luta permanentemente com o tempo, naquilo que é o nossos destino contemporâneo.
With your watch in hand, alice rabbit in this illustration constantly struggle with time, what is our contemporary struggle.

 Equilíbrio precário sobre um fio que não é rectilineo, nesta ilustração muitas vozes em fundo nos perguntam quanto temos na folha do deve e haver.
Precariously balanced on a wire that is not rectilinear, in this illustration many voices in the background ask us how much we have.

 No berço desta ilustração nascem muitas das esperanças do que vamos ser, os sonhos por realizar dos nossos pais, até que venha a idade da independência dos nossos desejos.
In the cradle of this illustration are born many of the hopes that we will be, the unfulfilled dreams of our fathers, till the independence of our desires.

 A autoridade que esmaga, o pai, o general, o chefe. A submissão do nosso potencial criador até obedecer se tornar num modo de vida, isso nos é representado nesta ilustração.
The authority that crushes, the father, the general, the boss. The submission of our creative potential to obey becomes a way of life, represented in this illustration.

 Obstáculo no caminho faz-me parar, curioso preciso de apalpá-lo, mexer-lhe, sentir o seu peso. É valioso precisamente por isso, porque me deteve nesta ilustração.
 Todos esses caminhantes que por uma única vez cumprem uma promessa ou que anualmente percorrem quilómetros em missão de limpeza espiritual. Por eles esta ilustração.
 A agulha enterra-se na pele e junta o que foi separado, os laços sentimentais, as memórias, e tudo fica em paz na ilustração.
 Carregar a vida consigo, e como pesam as memórias, o que podia ter sido.
 Ele seduz na ilustração, ela finge deixar-se seduzir exibindo o melhor ângulo, deixa que a alça deslize e a mão toque o peito onde em breve descansará.
 Um texto é trucidado por um qualquer "funcionário" que decide o que é apropriado para o regime - chama-se  censura. Mas ela continua aí a explicar  porque determinado político não está a obedecer à "ordem internacional" e aos "mercados" e porque fatalmente será invadido.
 Chaves abrem portas na ilustração - é sabido, mas não estou a falar de objectos físicos de madeira ou metal, mas que chaves podemos usar para nos abrir a imaginação a novas ideias?
 Na ilustração estamos a ser usados como experiências, o objectivo é ir até ao limite, averiguar até quanto poderemos aguentar. Segundo um banqueiro podemos aguentar tudo, porque o nosso medo é ilimitado.
 Estou errado! mas mesmo que me provem, mesmo que insistam em explicar-me assim continuarei porque esse é o meu destino, a ilustração da minha fatalidade.
 Muito se fala, muito se diz por tantos meios, mas o quê? que o tempo está pior mas vai melhorar,que o clube perdeu mas irá ganhar. Ouvimos só o que queremos ouvir, se tudo se desligasse, nada se alteraria.
 Ler jornais (que não sejam desportivos) é coisa de velhos constato. No café, na praia ou de pantufas no sofá da sala, as tabletes e os telemóveis substituiram o papel. Os eucaliptos crescem mais repousados e o lixo informático fará crescer montanhas enterradas numa fina capa de terra donde crescerão estranhas flores carregadas de bites e cheirando a plástico.Disso fala esta ilustração.
 Como magia o do norte foge para o o sul a banhos, e o do sul escapa para o norte para trabalhar, esta bola gira, gira nesta ilustração.
 Entre o medo do desemprego e a exaustão do excesso de trabalho como estaremos daqui por dez anos? mais felizes, mais azedos, ou uns talvez, outros definitivamente não. Faz hoje 15 anos em que iríamos estar melhor, relembro essa promessa nesta ilustração.
 O seu sorriso era sincero mas a pele escondia a morte. Conseguem ver na ilustração?
 Tudo parece frágil, periclitante, era para ter sido grande, mas faltou aquilo, e depois não houve tempo, se o tal tem aparecido, se calhar tinha ficado.
 Desde a escola - que aprendes a ficar calado. Aconteceu quando farto de ouvir as queixas dos colegas decidiste falar. Quem mais concorda com isto? perguntou o professor, e o silêncio caiu sobre a sala, sobre o teu orgulho, sentiste-te só e juraste para nunca mais.
 É muito complicado ter segredos, viver na terrível angústia de ser descoberto. Na ilustração algo se esconde debaixo da alcatifa.
 Ilustrar os grandes olhos do pintor Almada Negreiros.
 O espelho reflecte uma imagem mas aquele não sou eu, é alguém que anda por aí disfarçado com o meu nome. A ilustração tenta capturar esse impostor.
 Ora amargo, por vezes doce, não me reconheço e nem sei quem sou verdadeiramente. Depende da hora em que a ilustração me re-presente.
 Chegar ao fim? do dia, do mês até mesmo do ano, lúcido e vivo. Ilustração do Sobre-viver.

 Um aperto de mão, a pele que toca, eu conheço-te, contigo já falei, vivemos algo juntos, lembraste de mim nesta ilustração?
 A arma, essa beleza fria e destruidora, ilustração da morte.

 Sem comentários. O político do espectáculo.

 Avalia o mundo nessa totalidade.
 Escondido,incógnito um pouco patético talvez como exige a situação temendo represálias.
 Naquele momento de relâmpago em que tudo faz sentido, as peças encaixam.Já sentiram?
 Quando por uma conjugação talvez dos astros o poder e a capacidade de fazer coincidem, nesse micronésimo do tempo universal, as obras geniais nascem.
 O eu foi vendido há muito tempo e o fato está gasto. De facto foi trocado tantas vezes que do menino de calções que gostava de brincar só ficou uma fotografia amarelecida.
 Os pés e as mãos crescem, crescem demais, e custa adaptar à tribo, ao grupo, ao bando.Eu quero ser amado, mas a minha pele é de adolescente.
 Perto do céu, mas com tanto receio da queda.
 Retrato apenas do desconforto, aos quarenta atiram-te à cara...muito velho.

 Tudo está calmo, calmo na terra de Lilliput, é apenas uma ordem de despejo.
 Ele sorri para ela e ela corresponde, ele serve-a e ela tem euros. Um país transformado numa tasca.
Engaiolado faz as contas, entre o trabalho oito horas mais os transportes e a casa, cozinhar, lavar a roupa e ajudar nos trabalhos da escola, sobram-lhe dez minutos, esse é o seu TEMPO DE VIDA.